A proteção que virou produto: por que o seguro pet deixou de ser exceção no mercado brasileiro?

Diego Velázquez
Hugo Galvao de França Filho

Até pouco tempo atrás, contratar um seguro para o próprio animal de estimação soava como excesso de zelo, quase uma extravagância reservada a poucos tutores mais preocupados. Hugo Galvao de França Filho, fundador e diretor da Enjoy Pets, explica que esse cenário mudou de forma rápida, e hoje o seguro pet aparece como uma das apostas mais promissoras dentro do setor de seguros brasileiro, crescendo justamente no mesmo ritmo em que o consumidor passou a tratar seu animal como parte inegociável da família.

Esse movimento não surge isolado, mas como consequência direta de uma transformação mais ampla que já vinha sendo sentida em outras frentes do mercado pet. O seguro é apenas o capítulo mais recente de uma história que já se repetia em alimentação premium, serviços veterinários mais sofisticados e produtos de bem-estar animal, todos puxados pela mesma mudança de percepção do tutor brasileiro em relação ao próprio pet.

Um mercado sustentado por números concretos

O setor pet brasileiro movimentou mais de R$ 75 bilhões em receita recente, com crescimento consistente ano após ano, e o país já reúne mais de 160 milhões de animais de estimação, uma média superior a um pet e meio por residência. Diante dessa escala, faz sentido que seguradoras e insurtechs enxerguem no segmento um território ainda pouco explorado, mas com potencial de crescimento acelerado nos próximos anos.

Hugo Galvao de França Filho reforça que esse tipo de dado costuma ser subestimado por quem olha o mercado pet apenas pela lente de produtos físicos, como ração e petiscos. Segundo ele, entender que o setor também abre espaço para produtos financeiros e de proteção é essencial para qualquer empresário que queira se posicionar de forma completa dentro desse ecossistema, já que o tutor moderno busca previsibilidade financeira tanto quanto busca qualidade de produto.

Por que a humanização empurra esse mercado para frente

O motivo por trás desse crescimento tem nome conhecido: a humanização do animal de estimação. Com custos veterinários cada vez mais elevados e tratamentos mais sofisticados disponíveis no mercado, o tutor passou a encarar esses gastos como recorrentes, e não mais como eventos raros e imprevisíveis. Esse é exatamente o tipo de percepção de risco que torna um produto de seguro atrativo, já que ele oferece previsibilidade financeira justamente onde antes existia incerteza.

Para Hugo Galvao, essa mudança de mentalidade é a peça central para entender por que o seguro pet deixou de ser nicho e passou a ganhar espaço dentro de produtos mais amplos, como seguros residenciais e de vida, que já começam a incorporar coberturas voltadas ao animal de estimação. Ele destaca que essa integração é um sinal claro de maturidade do setor, já que grandes seguradoras não incorporam um produto ao portfólio principal sem antes identificar demanda consistente e recorrente por trás dele.

Tecnologia como base da nova geração de seguros

O avanço das insurtechs, startups de tecnologia voltadas ao setor de seguros, tem papel decisivo nesse crescimento. Modelos de precificação mais dinâmicos, que utilizam dados de comportamento e histórico de saúde do animal, permitem planos mais personalizados e acessíveis do que os modelos tradicionais, ampliando o público capaz de pagar por esse tipo de proteção.

Hugo Galvao de França Filho observa que essa personalização tecnológica resolve um problema histórico do setor de seguros como um todo, o distanciamento entre um produto genérico e a realidade específica de cada cliente. Segundo ele, quando a tecnologia permite ajustar o valor do plano de acordo com a idade, a raça e até o histórico de saúde de cada animal, o seguro deixa de ser um produto de prateleira e passa a ser percebido como algo desenhado especificamente para aquele pet, o que aumenta consideravelmente a disposição do tutor em contratar.

Um caminho que ainda está no início

Apesar do crescimento acelerado, especialistas do setor reconhecem que o mercado de seguro pet brasileiro ainda está em estágio inicial de maturidade, especialmente quando comparado a países onde esse tipo de produto já é consolidado há décadas. Isso indica espaço relevante de expansão tanto para seguradoras tradicionais quanto para negócios do mercado pet que conseguirem se posicionar como parceiros dessas soluções de proteção.

A Enjoy Pets, presente no mercado pet, acompanha de perto esse movimento de expansão, entendendo que o cuidado com o animal foi além do prato de ração e do brinquedo, chegando também à proteção financeira do tutor diante de imprevistos de saúde. Hugo Galvao de França Filho sintetiza esse cenário de forma direta: quem entende que o consumo pet não se limita mais a produtos físicos consegue enxergar oportunidades de negócio que ainda passam despercebidas por boa parte do mercado, justamente porque a maioria continua olhando apenas para a prateleira, e não para o conjunto de necessidades que envolve cuidar bem de um animal de estimação.

Para descobrir mais conteúdos sobre e-commerce, marketplaces e crescimento de negócios digitais, acesse www.enjoypets.com.br.

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