Santa Catarina é a maior densidade de startups da Região Sul, mostra novo estudo

Diego Velázquez

Levantamento da Distrito, ACATE e KPMG mapeia 510 startups catarinenses e revela por que o estado é chamado de “Vale do Silício brasileiro”

Santa Catarina reforçou sua posição como um dos principais polos de inovação do Brasil. Um novo levantamento divulgado pela empresa Distrito, em parceria com a Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), a KPMG e o Sebrae/SC, mostrou que o estado tem a maior densidade de startups entre os três estados da Região Sul. O estudo, batizado de Distrito Santa Catarina Tech Report, mapeou centenas de empresas de base tecnológica distribuídas por diferentes regiões catarinenses.

Mas o que esses números realmente significam para quem mora ou pretende empreender em Santa Catarina? A resposta passa por entender onde essas startups estão concentradas, em quais setores elas atuam e por que o estado consegue manter esse ritmo de criação de negócios inovadores mesmo fora do eixo Rio-São Paulo. Esses dados ajudam a explicar por que Florianópolis carrega o apelido de Capital Nacional das Startups e como cidades como Joinville e Blumenau também vêm ganhando espaço nesse ecossistema.

Os números que colocam Santa Catarina na liderança regional

De acordo com o levantamento, Santa Catarina soma 7,4 empresas de base tecnológica para cada 100 mil habitantes, totalizando 510 startups em todo o estado. O resultado coloca o estado bem na frente dos vizinhos da Região Sul: o Paraná aparece com densidade de 4,4% e o Rio Grande do Sul com 3,7%, números bem inferiores ao catarinense. A pesquisa analisou as empresas em 30 categorias diferentes, entre elas fintechs e adtechs, o que demonstra a diversidade do ecossistema catarinense e não uma concentração em apenas um nicho de mercado. NSC Total + 2

A distribuição geográfica dessas startups também chama atenção. Florianópolis lidera a concentração com 45,5% das empresas mapeadas, seguida por Joinville, com 13,7%, Blumenau, com 8,6%, e Chapecó, com 4,5%. Esse espalhamento por diferentes regiões do estado é um dos pontos mais destacados pelos responsáveis pelo estudo. Para Tiago Ávila, líder de produto do Dataminer, braço do Distrito responsável pela pesquisa, Santa Catarina foi capaz de criar uma cultura de inovação própria que vai além de um único município, permeando aspectos sociais, educacionais e econômicos e demonstrando uma cultura empreendedora que se estende por todo o estado. Essa característica diferencia o ecossistema catarinense de outros polos brasileiros, geralmente concentrados apenas na capital ou em uma única cidade-polo. NSC TotalRevista Sucesso SA

Por que o ecossistema catarinense é chamado de “Vale do Silício brasileiro”

O apelido não surgiu por acaso. O estudo aponta que cerca de 60% das startups mapeadas surgiram nos últimos cinco anos, o que indica um ecossistema em fase de expansão acelerada e ainda com bastante espaço para crescer. Além disso, a estrutura de apoio ao empreendedor é robusta: Santa Catarina conta atualmente com 25 incubadoras, 14 polos de tecnologia e três aceleradoras, que sustentam esse ecossistema em diferentes etapas de maturidade das empresas. Revista Sucesso SARevista Sucesso SA

A presença de instituições como a ACATE e o Sebrae/SC, por meio do programa Startup SC, é apontada como peça central para a continuidade desse crescimento. Outro indicador relevante levantado pelo estudo é o porte financeiro da maioria dessas empresas. Do total mapeado, 83,2% das startups catarinenses faturam até R$ 5 milhões por ano, enquanto 13,1% faturam entre R$ 5 milhões e R$ 25 milhões, e apenas 3,7% superam essa marca. Esses números mostram que, embora o estado tenha um número expressivo de empresas inovadoras, a maioria ainda está em estágio inicial ou de consolidação, o que reforça a importância de programas de incubação e aceleração para que esses negócios consigam escalar e atingir faturamentos maiores nos próximos anos. Entre as empresas catarinenses que já alcançaram relevância nacional estão nomes como Conta Azul e Resultados Digitais, frequentemente citados como exemplos de sucesso do ecossistema local. Revista Sucesso SA

O que vem a seguir para as startups catarinenses

O fortalecimento do setor não se limita ao mapeamento de empresas já existentes. Diversos programas estaduais seguem ativos para atrair novos empreendedores e dar suporte a negócios em diferentes fases de maturação. A Rede MIDIHUB, considerada uma das maiores do país em sua categoria, recentemente divulgou a lista de startups selecionadas para incubação, reunindo empresas distribuídas entre doze incubadoras espalhadas por seis mesorregiões catarinenses. A iniciativa passou a integrar o Startup SC como etapa obrigatória, ampliando o acesso a mentorias e capacitações para quem está construindo um negócio de base tecnológica no estado.

Paralelamente, o calendário de eventos voltados à inovação em Santa Catarina segue intenso ao longo de 2026, com destaque para o Startup Summit, que reúne em Florianópolis startups, investidores e delegações internacionais, consolidando a capital catarinense como ponto de encontro do setor na América Latina. Iniciativas como o Programa Nascer, voltado à pré-incubação de novas ideias em diferentes municípios do estado, também ajudam a explicar por que o número de startups catarinenses deve continuar crescendo nos próximos anos, ampliando ainda mais a distância em relação aos demais estados da Região Sul.

O resultado divulgado pelo Distrito Santa Catarina Tech Report reforça uma tendência que já vinha sendo observada por quem acompanha o setor de inovação no estado: Santa Catarina conseguiu transformar a cultura empreendedora em um diferencial econômico real, capaz de gerar empregos qualificados e atrair investimentos para diferentes regiões, não apenas para a capital. Para quem pretende empreender ou buscar uma vaga no setor de tecnologia, os números indicam que o momento é favorável, especialmente em cidades que vêm ganhando força além de Florianópolis, como Joinville e Blumenau, ampliando as oportunidades de trabalho e negócio em todo o estado catarinense.

Fontes:

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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