Indicador da Fecomércio-SC recua em maio puxado pelo fim da “taxa das blusinhas” e pela redução da jornada de trabalho aprovada na Câmara dos Deputados
Santa Catarina vive um momento de contrastes na economia. Enquanto o estado segue crescendo acima da média nacional, com indústria, comércio e serviços em expansão, o empresário catarinense está cada vez mais receoso quanto ao futuro. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), medido mensalmente pela Fecomércio-SC em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), registrou queda pelo quarto mês consecutivo em maio de 2026. O resultado chama atenção justamente por contrastar com os números positivos divulgados pelo IBGE no início do ano, quando a economia catarinense avançou bem mais que a média brasileira.
A principal dúvida que fica para o consumidor e para o pequeno empresário é simples: se a economia catarinense vai bem nos indicadores oficiais, por que a confiança de quem vende está em queda? A resposta passa por mudanças recentes na legislação, pelo custo do crédito e por incertezas ligadas ao ano eleitoral. Entender esses fatores ajuda a explicar o que pode acontecer com preços, empregos e investimentos nos próximos meses em Santa Catarina.
Por que a confiança do comércio catarinense está caindo
O ICEC fechou maio de 2026 com 91,7 pontos, abaixo da linha dos 100 pontos que separa otimismo de pessimismo. Esse foi o quarto mês consecutivo de queda do indicador, com recuo de 1,4% em relação a abril e de 10,7% na comparação com maio de 2025. O número confirma uma tendência que já vinha sendo observada desde o início do ano e que contraria, em parte, o otimismo inicial dos consumidores catarinenses. Radioararangua
O presidente da Fecomércio-SC, Hélio Dagnoni, atribui a retração a mudanças recentes no ambiente econômico e regulatório, citando como fatores determinantes o fim da chamada “taxa das blusinhas” e a aprovação, na Câmara dos Deputados, da redução obrigatória da jornada de trabalho. Esses dois movimentos pegaram parte do empresariado de surpresa, já que alteram diretamente o planejamento de custos do varejo e dos prestadores de serviço. A entidade já havia se posicionado de forma crítica sobre a tramitação da redução de jornada, defendendo que o tema deveria passar por um debate mais amplo no Senado antes de qualquer aprovação definitiva. Para o setor produtivo, mudanças dessa natureza tendem a elevar despesas com folha de pagamento justamente em um momento de juros ainda elevados, o que reduz a margem para novos investimentos e contratações. Radioararangua
O que a pesquisa da Fecomércio revela sobre 2026
Para entender o tamanho da cautela do empresário catarinense, vale lembrar o que a própria Fecomércio-SC já havia identificado no fim de 2025. Em levantamento que ouviu 405 empresários em 11 cidades do estado, apenas 33% dos empresários acreditavam em melhora da economia para 2026, enquanto 55% dos consumidores se mostravam otimistas com o cenário. Essa diferença de percepção entre quem compra e quem vende ajuda a explicar por que o índice de confiança empresarial segue em queda mesmo com o consumo relativamente estável. Jornal O Celeiro
A pesquisa também mostrou que 63,5% dos varejistas catarinenses não pretendiam abrir novas lojas nem ampliar as já existentes em 2026, e os principais desafios apontados foram a escassez de mão de obra qualificada, citada por 28% dos entrevistados, seguida pelo aumento dos custos, com 27%. A concorrência com plataformas digitais e a redução da demanda completam a lista de preocupações do setor. Itajaí e Lages apareceram como as cidades mais otimistas do estado, enquanto Joinville registrou o menor índice de confiança entre os municípios pesquisados. Esse recorte regional mostra que a cautela não é uniforme: ela varia bastante de acordo com a vocação econômica de cada polo catarinense, seja ele mais industrial, mais turístico ou mais dependente do comércio de rua. Jornal O Celeiro
O que esperar para os próximos meses em Santa Catarina
Apesar do cenário de cautela no varejo, a economia catarinense como um todo continua registrando desempenho superior à média nacional. Segundo dados do IBGE, a indústria catarinense cresceu 3,4% entre janeiro e novembro de 2025, enquanto a indústria brasileira avançou apenas 0,6% no mesmo período, com o comércio varejista do estado somando alta de 5,7% frente a 1,5% no Brasil. Esse descompasso entre indicadores macroeconômicos positivos e a confiança individual do empresário é um fenômeno que costuma se repetir em momentos de transição regulatória, quando o produtor ainda não conseguiu medir o impacto real das novas regras sobre o próprio negócio. Gazeta do Povo
Soma-se a isso o fator eleitoral. Com as eleições de 2026 no horizonte, é natural que parte do empresariado adote uma postura mais defensiva, evitando grandes investimentos até que o cenário político e tributário se estabilize. O secretário de Indústria, Comércio e Serviços de Santa Catarina, Silvio Dreveck, já havia destacado que incentivos estaduais como o Prodec e o Pró-Emprego têm sustentado o desempenho catarinense mesmo em meio aos desafios nacionais. A expectativa do governo estadual é que, se a taxa Selic seguir a trajetória de queda projetada para o segundo semestre, o crédito se torne mais acessível e parte da cautela do varejo comece a recuar, especialmente entre os pequenos e médios empresários que mais sentem o peso dos juros altos no caixa. State of Santa Catarina
A combinação entre indústria forte, comércio mais retraído e juros ainda em patamar elevado deixa Santa Catarina em uma posição de espera. Os próximos boletins da Fecomércio-SC e do IBGE devem servir como termômetro para saber se a queda na confiança do empresário é passageira, ligada apenas à digestão das novas regras trabalhistas e tributárias, ou se aponta para uma desaceleração mais duradoura do varejo catarinense. Para o consumidor, o reflexo direto dessa cautela tende a aparecer na oferta de empregos no comércio e na disposição das empresas para expandir endereços físicos pelo estado. Enquanto isso, o desempenho da indústria e dos serviços continua sendo o que sustenta o bom resultado geral da economia catarinense neste início de 2026.
Fontes:
- https://radioararangua.com.br/confianca-do-empresario-catarinense-cai-pelo-quarto-mes-seguido/
- https://jornalceleiro.com.br/2026/01/economia-de-sc-em-2026-consumidores-otimistas-empresarios-cautelosos-aponta-fecomercio/
- https://www.gazetadopovo.com.br/santa-catarina/economia-santa-catarina-perspectivas-2026-crescimento-comercio/
- https://estado.sc.gov.br/noticias/economia-de-santa-catarina-cresce-38-em-12-meses-e-fica-acima-da-media-nacional/
Autor: Diego Rodríguez Velázquez