Elmar Juan Passos Varjão Bomfim analisa que pavimentos em corredores de alto tráfego falham mais por decisões acumuladas do que por um único erro evidente. A via pode até parecer “aceitável” nas primeiras semanas, contudo cargas repetidas, frenagens, arrancadas e variações térmicas expõem rapidamente fragilidades de projeto, de materiais e de execução, com trincas, trilhas de roda e perda de conforto.
Ainda assim, o desafio é maior quando o corredor não pode parar. Interdições longas pressionam mobilidade e logística, por conseguinte a engenharia precisa equilibrar desempenho estrutural, segurança e estratégia de manutenção, com escolhas coerentes com o ciclo de vida do ativo e com a realidade operacional do trecho.
Tráfego real e leitura do comportamento do corredor
Na avaliação de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, dimensionar pavimento em alto tráfego exige caracterizar o tráfego de forma concreta, indo além de médias genéricas. Volume diário, composição da frota, cargas por eixo, distribuição por faixas e pontos de frenagem definem o nível de solicitação, logo segmentos com ônibus e caminhões canalizados pedem solução diferente de trechos com fluxo mais homogêneo.
Por outro lado, o diagnóstico do pavimento existente precisa apontar causa, não apenas sintoma. Mapeamento de defeitos, irregularidade, afundamentos localizados e recalques permite diferenciar fadiga estrutural, instabilidade do subleito e efeitos de drenagem deficiente. Dessa forma, a intervenção evita recapeamentos sucessivos que “maquiam” o problema e antecipam a próxima obra.
Estrutura do pavimento, materiais e controle de desempenho
Conforme analisado por Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, desempenho depende da coerência entre subleito, base, camada intermediária e revestimento. Resistência à deformação permanente, comportamento à fadiga e aderência entre camadas precisam estar alinhados ao esforço previsto, ainda assim sem superdimensionar por impulso, porque custo inicial não garante durabilidade se o sistema estiver mal compatibilizado.
Além disso, escolha de ligante, granulometria, teor de vazios e compactação definem a suscetibilidade a trilhas de roda e trincamento precoce. A partir disso, critérios de aceitação devem ser objetivos, com verificação de temperatura de aplicação, densidade e regularidade, para reduzir variação de qualidade. Desse modo, o pavimento tende a responder melhor ao tráfego pesado e a manter conforto por mais tempo.

Drenagem e clima como aceleradores de deterioração
Como observa Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, água é um dos principais aceleradores de deterioração, pois reduz capacidade de suporte e amplia danos por bombeamento de finos. Infiltração por bordos, trincas e juntas, somada a caimentos inadequados e dispositivos de coleta subdimensionados, cria um ambiente propício a panelas e desagregação. Nesse sentido, drenagem superficial e, quando necessário, soluções internas precisam integrar o pacote do pavimento.
Em contrapartida, o clima impõe ciclos térmicos que afetam ligantes e materiais granulares, sobretudo onde há chuvas concentradas e variações de temperatura. Por conseguinte, envelhecimento do ligante, suscetibilidade à umidade e estabilidade volumétrica devem influenciar especificação e detalhamento, reduzindo a chance de o pavimento ser tecnicamente correto no projeto e frágil na operação.
Execução, rastreabilidade e manutenção planejada
Segundo Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, execução decide o desempenho do primeiro ano, e o primeiro ano costuma definir a trajetória do ativo. Segregação, compactação insuficiente, juntas mal executadas e falta de limpeza entre camadas elevam risco de falhas localizadas. Assim, controle tecnológico, verificação de espessuras e registros de conformidade reduzem dispersão e melhoram previsibilidade.
Nota-se, então, que os corredores de alto tráfego precisam de manutenção planejada, com intervenções por gatilhos de desempenho, evitando esperar a via “colapsar” para agir. Selagem, microrevestimentos e correções pontuais, aplicados no tempo certo, preservam a estrutura e minimizam interdições. Por fim, essa lógica de ciclo de vida reduz custo total e sustenta segurança e conforto de forma contínua.
Autor: Thomas Hay