Universidade pretende reunir pesquisadores e projetos de IA e aproximar conhecimento acadêmico de startups e pequenas empresas catarinenses.
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) avança na estruturação de um Centro de Competência em Inteligência Artificial, iniciativa que pretende reunir conhecimentos, pesquisas e projetos desenvolvidos na instituição e ampliar a conexão da universidade com empresas e outras organizações. A proposta ganhou destaque nesta semana durante a segunda reunião do Comitê Eco Floripa, realizada na quarta-feira (9), na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), em Florianópolis.
Segundo a UFSC, o processo para criação do centro já está em andamento. A intenção é articular projetos de diferentes organizações e estimular o desenvolvimento de soluções capazes de ajudar startups, micro e pequenas empresas a inovar e enfrentar as transformações provocadas pelo avanço da inteligência artificial.
Outro passo concreto está sendo realizado dentro da própria universidade. A Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq) abriu uma chamada pública para identificar pesquisadores, projetos, redes de cooperação e outras iniciativas relacionadas à inteligência artificial existentes na UFSC. O prazo para manifestação dos pesquisadores termina nesta sexta-feira, 11 de setembro.
A movimentação coloca Florianópolis diante de uma oportunidade de aproximar ainda mais universidades, empresas de tecnologia, startups e poder público. Em vez de manter diferentes pesquisas de inteligência artificial funcionando de forma isolada, a proposta busca organizar competências e criar uma infraestrutura institucional capaz de ampliar a cooperação na área.
Como será o Centro de Competência em Inteligência Artificial da UFSC?
O projeto ainda está em processo de estruturação, portanto detalhes como formato definitivo, infraestrutura física, orçamento e cronograma de implantação ainda não foram divulgados. O que a universidade já confirmou é a intenção de assumir papel de liderança na criação do centro e reunir diferentes competências relacionadas à inteligência artificial.
A UFSC possui pesquisadores atuando tanto em inteligência artificial como objeto principal de pesquisa quanto em aplicações da tecnologia em outras áreas. Entre os campos relacionados à inteligência computacional desenvolvidos na universidade estão aprendizado de máquina, ciência de dados, agentes inteligentes, reconhecimento de padrões, robótica e sistemas multiagentes.
Para descobrir com maior precisão quais projetos podem participar dessa estrutura, a Propesq iniciou um mapeamento interno. A chamada contempla tanto pesquisas fundamentais em IA quanto trabalhos nos quais a inteligência artificial é utilizada como instrumento aplicado a outros campos do conhecimento.
O levantamento também pretende identificar redes de cooperação e iniciativas já existentes. Depois dessa etapa, os pesquisadores participantes deverão ser convidados para uma reunião organizada pela Pró-Reitoria de Pesquisa, avançando na discussão sobre a estrutura institucional do futuro centro.
A estratégia é importante porque uma universidade de grande porte pode ter projetos relacionados à IA espalhados por diferentes departamentos, laboratórios e programas de pós-graduação. Ao reunir essas competências, torna-se mais fácil desenvolver projetos multidisciplinares e estabelecer parcerias com empresas, instituições públicas e organizações de pesquisa.
Como startups e pequenas empresas de Santa Catarina podem ser beneficiadas?
Um dos objetivos apresentados pela UFSC é transformar conhecimento acadêmico em soluções capazes de chegar ao setor produtivo. O pró-reitor de Pesquisa, Jacques Mick, afirmou que o centro deverá articular projetos de diferentes organizações e estimular soluções para auxiliar startups, micro e pequenas empresas diante das mudanças provocadas pela inteligência artificial.
Essa conexão pode ser relevante especialmente para negócios que ainda possuem dificuldades para incorporar IA às operações. Grandes empresas normalmente têm mais recursos financeiros e equipes especializadas para testar tecnologias, enquanto pequenos negócios podem enfrentar barreiras relacionadas a custos, qualificação profissional e acesso ao conhecimento técnico.
Universidades podem ajudar a reduzir parte dessa distância por meio de pesquisas aplicadas, transferência de tecnologia, formação profissional e projetos realizados em cooperação com empresas. Para Florianópolis, onde existe um ecossistema consolidado de inovação e empresas tecnológicas, a aproximação entre pesquisa acadêmica e mercado pode ampliar a capacidade de desenvolver novas soluções.
A discussão faz parte de uma agenda mais ampla do Comitê Eco Floripa. O grupo reúne representantes da universidade, poder público municipal e estadual, empresas de tecnologia, instituições de pesquisa e desenvolvimento e organizações ligadas aos pequenos negócios.
Entre os encaminhamentos definidos estão grupos de trabalho dedicados à inteligência artificial e à formação tecnológica, além do acompanhamento de indicadores de inovação e produtividade e da atração de investimentos. O objetivo é construir um modelo integrado de governança para fortalecer a competitividade de Florianópolis e de Santa Catarina.
Por que Florianópolis quer ampliar seu protagonismo em inteligência artificial?
A inteligência artificial está modificando diferentes setores da economia e criando demanda por profissionais, infraestrutura tecnológica e novas competências. Nesse cenário, cidades que já possuem universidades, empresas de tecnologia e ambientes de inovação partem de uma posição favorável para desenvolver projetos e atrair investimentos.
Florianópolis reúne justamente esses elementos. A presença da UFSC, de instituições de pesquisa, de empresas tecnológicas e de startups permite que pesquisas acadêmicas encontrem oportunidades de aplicação no mercado e que problemas enfrentados pelas empresas sejam transformados em novos temas de pesquisa e desenvolvimento.
Na reunião do Comitê Eco Floripa, também foram discutidos mecanismos de financiamento para deep techs e startups em fase de crescimento, além da ampliação da educação empreendedora e tecnológica. A proposta é criar uma estratégia que não fique limitada à adoção de ferramentas prontas de IA, mas estimule a produção de conhecimento e soluções dentro do próprio ecossistema catarinense.
O Centro de Competência em Inteligência Artificial pode se tornar uma peça dessa estratégia. Entretanto, como o projeto ainda está sendo estruturado, seu impacto dependerá do modelo que será adotado, das instituições que efetivamente participarão e dos recursos destinados à iniciativa.
O movimento registrado nesta semana mostra que a proposta começa a sair do campo das discussões gerais. A UFSC já realiza o mapeamento de pesquisadores e projetos relacionados à inteligência artificial, enquanto o Comitê Eco Floripa organiza grupos de trabalho para aproximar universidade, empresas e poder público. Os próximos passos deverão mostrar como essa rede será organizada e quais projetos poderão nascer dessa articulação em Florianópolis e em Santa Catarina.
Fontes: UFSC — Comitê Eco Floripa e Centro de Competência em Inteligência Artificial | PROPESQ/UFSC — mapeamento de pesquisas e estruturação do Centro de Competência em IA | PPGCC/UFSC — pesquisas em Inteligência Computacional