Violência doméstica: O que dizer a uma mulher que relata o que viveu? Veja com Taiza Tosatt Eleoterio

Sofia Eldberg
Taiza Tosatt Eleoterio

Uma mulher que relata sofrer violência doméstica busca, antes de qualquer solução, alguém que a escute e que não a julgue. Logo, como ressalta a profissional com atuação em apoio a mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade, Taiza Tosatt Eleoterio, a forma como essa primeira conversa acontece define se ela seguirá pedindo ajuda ou se recolherá em silêncio.

A resposta recebida neste momento pesa tanto quanto a violência relatada, uma vez que pode confirmar ou desfazer a sensação de estar sozinha. Com isso em mente, a seguir, abordaremos exemplos de comunicação acolhedora e explicaremos por que certas frases, mesmo ditas com boa intenção, aumentam a culpa de quem já carrega o peso da situação. Portanto, continue lendo e entenda como transformar uma conversa delicada em um gesto real de apoio.

Por que a primeira reação importa tanto?

Quando uma mulher decide falar sobre violência doméstica, ela já superou barreiras internas significativas, como medo, vergonha e receio de não ser acreditada. A reação de quem ouve pode reforçar essa coragem ou apagá-la. Taiza Tosatt Eleoterio retrata que perguntas céticas, comentários sobre o que ela deveria ter feito diferente e silêncios constrangidos transmitem a mensagem de que o relato não é bem-vindo, mesmo sem essa intenção.

Tendo isso em vista, o primeiro minuto de uma escuta define o nível de confiança que a mulher terá para continuar se abrindo, buscar apoio profissional ou até romper o ciclo de violência doméstica que vive em casa, especialmente quando o agressor também é figura de referência afetiva.

O papel de quem escuta um caso de violência doméstica

Quem recebe esse tipo de relato, seja familiar, amigo, colega de trabalho ou profissional, assume uma responsabilidade que vai além de ouvir palavras soltas. Portanto, validar o sentimento da mulher, sem minimizar ou comparar a situação com outros casos, é o primeiro passo para que ela se sinta segura para continuar falando.

Conforme destaca Taiza Tosatt Eleoterio, evitar perguntas que soem como interrogatório, como questionar por que ela demorou a contar ou por que ainda mantém contato com o agressor, reduz a sensação de julgamento e mantém o foco no acolhimento, e não na investigação dos fatos relatados.

Como responder sem aumentar a culpa?

Frases como “por que você não saiu antes?” ou “tem certeza de que não exagerou?” parecem inofensivas, mas colocam a responsabilidade da violência sobre quem a sofreu. Esse tipo de resposta reforça a culpa que muitas mulheres já sentem, mesmo sabendo, racionalmente, que não fizeram nada de errado, como pontua Taiza Tosatt Eleoterio, profissional com atuação em apoio a mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade.

Assim sendo, substituir os julgamentos por frases como “eu acredito em você” ou “você não tem culpa pelo que aconteceu” devolve à mulher o controle sobre a própria narrativa e reduz o isolamento emocional que costuma acompanhar esse tipo de vivência tão difícil de nomear em voz alta.

Frases que acolhem e frases que afastam

Ter exemplos concretos ajuda a transformar boas intenções em ações práticas durante uma conversa delicada sobre violência doméstica. Aliás, antes de reagir, é importante lembrar que o objetivo não é resolver tudo naquele momento, mas garantir que a mulher se sinta ouvida, respeitada e livre para decidir os próximos passos no seu próprio tempo. Em suma, entre os exemplos, se destacam:

  • Frases que acolhem: “eu acredito em você”, “você não está sozinha nisso” e “podemos pensar juntas nos próximos passos”;
  • Frases que afastam: “tem certeza que foi bem assim”, “por que você não fez nada antes” e “isso não parece tão grave”;
  • Atitudes que ajudam: ouvir sem interromper, respeitar o tempo da mulher e oferecer informações sobre canais de apoio, sem impor decisões.

Essas frases mostram como pequenas escolhas de linguagem têm peso real. Uma resposta acolhedora não exige preparo técnico, apenas disposição genuína para escutar sem interromper o raciocínio da mulher com opiniões precipitadas ou comparações desnecessárias, ainda que feitas com boa vontade e sem qualquer intenção de causar dano.

Escuta que abre caminho para novas escolhas

Acolher uma mulher que relata violência doméstica não significa ter todas as respostas prontas, mas recusar-se a somar mais um julgamento à experiência que ela já carrega. Segundo Taiza Tosatt Eleoterio, cada palavra escolhida nesse momento pode ser o que a aproxima de uma rede de apoio ou o que a afasta ainda mais dela.

No final, essa escuta, quando feita com respeito e sem pressa, contribui diretamente para que mais mulheres encontrem coragem de buscar ajuda e romper ciclos de violência que, sem apoio adequado, tendem a se repetir enquanto o silêncio for a única resposta disponível ao redor dela.

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