Itajaí quase dobra exportações de barcos e assume liderança nacional no primeiro semestre

Sofia Eldberg

Município catarinense exportou US$ 8,7 milhões em embarcações de lazer e esporte entre janeiro e junho de 2026, alta de 93%.

A indústria náutica de Itajaí ganhou ainda mais espaço no comércio exterior brasileiro em 2026. Empresas instaladas no município exportaram US$ 8,7 milhões em iates e outras embarcações de recreio e esporte no primeiro semestre, resultado 93% superior aos US$ 4,5 milhões registrados no mesmo período de 2025. Com o avanço, Itajaí alcançou a liderança nacional nas exportações desse segmento.

O desempenho chama atenção porque ocorreu em um período no qual as exportações brasileiras de embarcações de recreio e esporte recuaram. Dados reunidos pela Associação Náutica Brasileira (Acatmar), a partir do Comex Stat, mostram que o Brasil passou de US$ 25,8 milhões no primeiro semestre de 2025 para US$ 22,8 milhões no mesmo intervalo de 2026, queda de aproximadamente 12%. Itajaí seguiu na direção contrária e praticamente dobrou suas vendas externas.

O resultado reforça uma característica importante da economia catarinense. Santa Catarina concentra aproximadamente 70% da produção nacional de embarcações de esporte e lazer, enquanto Itajaí reúne cerca de 35% da produção brasileira de barcos, além de estaleiros, fornecedores e empresas especializadas.

O crescimento também movimenta atividades que vão muito além da fabricação das embarcações. Construção naval, logística, tecnologia, manutenção, serviços especializados, comércio exterior e fornecedores de componentes formam uma cadeia econômica que transformou a região de Itajaí em um dos principais polos náuticos do país.

Por que as exportações de barcos de Itajaí cresceram tanto?

O resultado do primeiro semestre mostra uma aceleração significativa das vendas internacionais. Entre janeiro e junho de 2025, empresas de Itajaí haviam exportado cerca de US$ 4,5 milhões em embarcações de esporte e lazer. Um ano depois, o montante chegou a US$ 8,7 milhões.

Isso representa crescimento de 93%, colocando o município na liderança brasileira do segmento. O desempenho é especialmente relevante porque outra importante cidade catarinense, Palhoça, registrou movimento contrário: suas exportações passaram de aproximadamente US$ 10,4 milhões para US$ 6,2 milhões na comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026.

A força de Itajaí está relacionada à concentração de uma cadeia industrial especializada. A cidade reúne fabricantes de embarcações, fornecedores de equipamentos, empresas de manutenção, serviços técnicos e operadores envolvidos na logística necessária para colocar barcos produzidos em Santa Catarina no mercado internacional.

Essa concentração permite que diferentes etapas da produção sejam realizadas dentro de um mesmo ecossistema econômico. A fabricação de uma embarcação envolve motores, equipamentos eletrônicos, sistemas de navegação, componentes elétricos, mobiliário, acabamento, materiais compostos e diversos outros produtos e serviços.

A expansão das exportações, portanto, não beneficia somente os grandes estaleiros. Uma rede de fornecedores e profissionais especializados também participa do processo produtivo, fazendo com que o crescimento do setor tenha reflexos em diferentes atividades econômicas da região.

O que a indústria náutica representa para a economia de Santa Catarina?

Santa Catarina possui uma posição diferenciada dentro da indústria náutica brasileira. Segundo dados setoriais reunidos pela Acatmar, o estado responde por cerca de 70% da produção nacional de embarcações de esporte e lazer.

O peso catarinense também aparece nas exportações. Em 2024, por exemplo, aproximadamente 74% das exportações brasileiras de embarcações de esporte e lazer partiram de Santa Catarina. Foram cerca de US$ 50 milhões de um total nacional de US$ 67,9 milhões naquele ano.

Itajaí ocupa posição estratégica dentro desse cenário. A cidade concentra aproximadamente 35% da produção nacional de barcos, formando um polo industrial no qual convivem estaleiros, fornecedores, prestadores de serviços e profissionais especializados.

O crescimento da produção também aumenta a demanda por componentes utilizados na construção das embarcações. No primeiro semestre de 2026, as importações brasileiras de insumos relacionados à fabricação de barcos de recreio e esporte chegaram a US$ 75,6 milhões, alta de 23% sobre os US$ 61,5 milhões registrados no mesmo período de 2025.

O movimento indica uma cadeia produtiva em expansão, mas também revela dependência de determinados equipamentos e componentes estrangeiros. Para os fabricantes, logística eficiente e disponibilidade de insumos tornam-se fatores importantes para cumprir cronogramas de produção e contratos internacionais.

Além da fabricação, existe uma economia associada ao uso e à manutenção das embarcações. Marinas, oficinas, empresas de transporte, serviços de engenharia, manutenção especializada, turismo náutico e comércio de equipamentos participam desse ecossistema.

O que pode acontecer agora com o setor náutico de Itajaí?

A liderança nas exportações aumenta a visibilidade de Itajaí no mercado náutico, mas também coloca novos desafios para sustentar o crescimento. Infraestrutura, qualificação profissional, logística, inovação e acesso a tecnologias estão entre os fatores que podem determinar a capacidade de expansão do setor nos próximos anos.

A formação de trabalhadores especializados ganha importância porque a construção de embarcações modernas exige conhecimentos em diferentes áreas. Sistemas elétricos, eletrônicos, hidráulicos, motores, automação, materiais compostos e acabamento de alto padrão fazem parte da fabricação de barcos destinados tanto ao mercado brasileiro quanto ao internacional.

A infraestrutura logística também possui papel relevante. O próprio Porto de Itajaí registrou recuperação importante em 2026: foram 2,6 milhões de toneladas movimentadas no primeiro semestre, crescimento de 40% sobre as 1,86 milhão de toneladas do mesmo período de 2025. A movimentação de contêineres chegou a 238.873 TEUs, avanço de 75% na comparação anual.

Embora os números portuários incluam diversas cargas e não representem apenas a indústria náutica, eles demonstram a importância da infraestrutura logística para a economia regional. Uma cidade que produz para mercados internacionais depende de conexões eficientes para receber componentes, movimentar mercadorias e atender cadeias globais.

O desafio para Itajaí será transformar o avanço registrado no primeiro semestre em crescimento sustentável. A expansão das exportações pode estimular novos investimentos, aumentar a demanda por fornecedores locais e fortalecer empregos especializados, mas o desempenho futuro dependerá das condições econômicas brasileiras e internacionais.

Os números de 2026 já mostram, entretanto, uma mudança importante no mapa da indústria náutica brasileira. Enquanto as exportações nacionais de embarcações de recreio e esporte recuaram no primeiro semestre, Itajaí avançou 93% e chegou a US$ 8,7 milhões. O resultado coloca a cidade catarinense na liderança nacional e reforça o peso da chamada Economia do Mar para Santa Catarina.

Fontes: Acatmar — exportações de barcos de Itajaí crescem 93% em 2026 | Portal Upiara — Itajaí quase dobra exportações e lidera o país | Ministério de Portos e Aeroportos — movimentação do Porto de Itajaí no primeiro semestre | Acatmar — dados da Economia do Mar e setor náutico

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