Nova governança reúne setores ligados ao mar e começa a definir prioridades para ampliar oportunidades econômicas em Santa Catarina.
Santa Catarina deu um novo passo para organizar e ampliar as atividades ligadas à chamada Economia Azul. Na terça-feira (22), representantes do poder público, setor produtivo, universidades e entidades participaram do 5º Encontro da Governança Estadual da Economia Azul, realizado em Florianópolis. O encontro marcou a posse de Leandro “Mané” Ferrari como primeiro presidente da estrutura, além da assinatura do Regimento Interno e do início da elaboração do Plano de Trabalho da nova gestão. (Sebrae SC Notícias)
A iniciativa ganha relevância para a economia catarinense porque o Estado possui uma extensa cadeia de atividades relacionadas ao mar, incluindo turismo, pesca, aquicultura, portos, indústria naval, náutica, tecnologia e serviços. Segundo estudo da Secretaria de Estado do Planejamento, a Economia do Mar respondeu por 13% do saldo de empregos formais de Santa Catarina em análise referente aos últimos anos. (Seplan)
O que é a Economia Azul e por que Santa Catarina aposta nesse setor?
A Economia Azul reúne atividades econômicas relacionadas aos recursos e espaços marinhos, mas incorpora também aspectos de sustentabilidade, inovação e preservação ambiental. Em Santa Catarina, o conceito alcança uma cadeia bastante diversificada, que vai da pesca e aquicultura ao turismo, transporte marítimo, portos, construção naval e atividades náuticas. A nova governança pretende aproximar esses diferentes segmentos para estabelecer prioridades comuns e transformar iniciativas isoladas em ações coordenadas. (Sebrae SC Notícias)
O encontro realizado em Florianópolis representa uma etapa institucional importante porque a Governança Estadual passa a contar com uma estrutura formal de funcionamento e uma presidência definida. De acordo com o Sebrae/SC, a organização funciona como espaço permanente de articulação, cooperação, diálogo e proposição estratégica, conectando poder público, empresas, academia e sociedade civil. A proposta é identificar desafios e oportunidades e construir projetos que possam gerar resultados para diferentes regiões do Estado. (Sebrae SC Notícias)
Para Santa Catarina, a estratégia pode ter reflexos especialmente em municípios do litoral, onde atividades ligadas ao mar fazem parte da economia local. Florianópolis, Itajaí, Balneário Camboriú, Joinville, São Francisco do Sul, Laguna, Imbituba e outras cidades possuem cadeias produtivas relacionadas direta ou indiretamente ao ambiente marítimo. A integração entre turismo, infraestrutura portuária, indústria, tecnologia e serviços pode ampliar a capacidade dessas regiões de atrair investimentos e desenvolver novos negócios, embora os resultados dependam das ações que serão efetivamente implementadas pela governança.
Quais setores podem ser beneficiados pela nova governança em SC?
Entre os setores diretamente relacionados à Economia Azul estão o turismo costeiro, a pesca, a aquicultura, a indústria naval e náutica e as operações portuárias. A esses segmentos também se somam áreas como tecnologia, formação profissional, sustentabilidade, investimentos e internacionalização. A Governança Estadual anunciou três Grupos de Trabalho Transversais para tratar justamente de inovação e tecnologia; sustentabilidade e clima; e formação profissional, trabalho, empreendedorismo, investimentos e internacionalização. (Deolhonailha)
A estrutura também pode ter importância para pequenas empresas e empreendedores que atuam no litoral catarinense. Restaurantes, empresas de turismo, operadores de passeios, prestadores de serviços náuticos, fornecedores da indústria e negócios ligados à tecnologia podem fazer parte de uma cadeia econômica maior. A articulação entre esses segmentos pode facilitar a identificação de oportunidades e estimular projetos conjuntos, especialmente quando houver participação de universidades, entidades empresariais e órgãos públicos.
Outro ponto relevante é a relação entre Economia Azul e inovação. Santa Catarina já possui um ecossistema tecnológico concentrado principalmente em cidades como Florianópolis, Joinville e Blumenau, e a nova estrutura prevê justamente um grupo de trabalho dedicado à inovação e tecnologia. Isso abre espaço para soluções relacionadas à gestão portuária, monitoramento ambiental, segurança marítima, turismo inteligente, eficiência energética e digitalização de atividades econômicas ligadas ao mar.
O que muda para empresas, trabalhadores e cidades do litoral catarinense?
A criação da governança não representa, neste momento, a implantação automática de um novo benefício ou programa financeiro para empresas e trabalhadores. O principal efeito imediato é institucional: reunir diferentes atores e estabelecer uma agenda coordenada para a Economia Azul catarinense. O Plano de Trabalho que começou a ser construído deverá definir prioridades e orientar as próximas ações da estrutura. (Sebrae SC Notícias)
Para quem trabalha ou empreende no litoral, o interesse está justamente nos projetos que poderão surgir dessa articulação. A presença de grupos voltados para qualificação profissional, empreendedorismo e investimentos indica que a estrutura pretende discutir não apenas políticas ambientais, mas também geração de oportunidades econômicas. A expectativa, segundo os responsáveis pela iniciativa, é transformar o diálogo entre setores em ações concretas e resultados para o Estado. (Deolhonailha)
O impacto também pode chegar ao turismo, uma das principais atividades econômicas de várias cidades catarinenses. Uma estratégia integrada pode aproximar turismo, náutica, gastronomia, eventos, infraestrutura e preservação ambiental, criando condições para ampliar a oferta de serviços e reduzir a dependência de períodos específicos do ano. Entretanto, o alcance dessas iniciativas dependerá das prioridades estabelecidas no plano e da execução dos projetos pelos diferentes participantes.
A Economia Azul também está relacionada ao futuro de atividades tradicionais. Pesca e aquicultura, por exemplo, podem incorporar novas tecnologias, melhorar processos produtivos e buscar maior sustentabilidade. A própria Epagri vem trabalhando na elaboração de um Plano Estratégico para o Desenvolvimento Sustentável da Algicultura Catarinense 2027–2037, mostrando que novas cadeias produtivas ligadas ao mar estão sendo discutidas no Estado. (Cedap Epagri)
A nova Governança Estadual da Economia Azul começa, portanto, uma etapa voltada à organização de prioridades e à integração dos setores que dependem do mar em Santa Catarina. A posse da primeira presidência, a assinatura do Regimento Interno e a construção do Plano de Trabalho formam a base institucional para essa nova fase. (Sebrae SC Notícias)
Para o catarinense, os efeitos mais concretos deverão aparecer conforme os grupos de trabalho avancem em projetos de turismo, tecnologia, sustentabilidade, qualificação e investimentos. Como o Estado possui uma cadeia marítima diversificada, decisões tomadas agora podem influenciar negócios, empregos e atividades econômicas nos municípios do litoral nos próximos anos. O próximo passo será acompanhar quais prioridades serão incluídas no plano e quais projetos sairão efetivamente do papel.
Fontes: