A população da cigarrinha-do-milho aumentou 83,6% na região Oeste de Santa Catarina, segundo a atualização mais recente do Programa Monitora Milho SC, coordenado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). O levantamento, divulgado em 25 de setembro de 2026, acende um alerta para o acompanhamento das lavouras que serão conduzidas durante a safra 2026/27.
O inseto preocupa porque pode transmitir patógenos associados a viroses e aos chamados enfezamentos do milho. No Oeste catarinense, além do crescimento da população da cigarrinha, foram identificados agentes relacionados a essas doenças. A bactéria causadora do enfezamento-pálido foi confirmada em amostras coletadas no município de Xanxerê.
Os dados fazem parte do monitoramento realizado pela Epagri em diferentes regiões produtoras do estado. O cenário não é uniforme em Santa Catarina: na região Norte, o levantamento registrou recuo superior a 96% na população do inseto em comparação com a semana anterior.
Por que o aumento preocupa os produtores
A cigarrinha-do-milho pode atuar na disseminação de doenças capazes de comprometer o desenvolvimento das plantas. Por isso, a presença do inseto precisa ser acompanhada desde o início do ciclo da cultura, especialmente em áreas onde foram detectados patógenos associados aos enfezamentos.
O impacto potencial ultrapassa os limites das propriedades rurais. O milho integra cadeias produtivas importantes para Santa Catarina, incluindo a criação de suínos e aves e a indústria de alimentos. Uma lavoura afetada pode aumentar os desafios para produtores e setores que dependem do cereal, embora o monitoramento divulgado pela Epagri não apresente uma estimativa de perdas para a safra 2026/27.
O Oeste é uma área estratégica para a produção agropecuária catarinense. Por isso, a elevação observada na população da cigarrinha reforça a necessidade de ações preventivas e de acompanhamento técnico nas lavouras. A recomendação é que os produtores não esperem a identificação de sintomas para iniciar o monitoramento.
Medidas recomendadas para o manejo
Entre as orientações apresentadas pela Epagri está o monitoramento das áreas desde a emergência das plantas. A inspeção frequente permite acompanhar a presença do inseto e orientar decisões de manejo de acordo com a situação de cada lavoura.
Outra medida indicada é a eliminação do milho voluntário, também chamado de “tiguera”. Essas plantas podem permanecer no campo ou surgir fora do cultivo principal e servir de abrigo para a cigarrinha e para os patógenos. A retirada ajuda a reduzir a continuidade do ciclo entre uma lavoura e outra.
A Epagri também recomenda a adoção de estratégias de manejo integrado. Quando necessário, o controle pode envolver inseticidas químicos ou biológicos, sempre dentro de uma estratégia técnica que considere o monitoramento e as condições específicas da propriedade. O objetivo é reduzir a população do inseto e o risco de disseminação de doenças.
Clima pode aumentar os desafios na safra 2026/27
O alerta fitossanitário ocorre em um contexto de atenção às condições climáticas previstas para Santa Catarina. Em boletim técnico publicado em 1º de setembro de 2026, a Epagri apontou alta probabilidade de ocorrência de El Niño de intensidade forte a muito forte durante a safra 2026/27.
De acordo com o documento Orientações técnicas para redução dos impactos do El Niño, o fenômeno pode favorecer chuvas acima da média, aumento da umidade e maior frequência de eventos extremos no estado. Essas condições tendem a elevar os desafios relacionados ao solo, às pragas, às doenças e à operação das atividades no campo.
A combinação entre o crescimento da cigarrinha no Oeste, a confirmação de patógeno em Xanxerê e a possibilidade de um período mais úmido reforça a importância do planejamento. O acompanhamento contínuo das lavouras, a eliminação do milho voluntário e o manejo integrado estão entre as principais medidas disponíveis para reduzir os riscos ao longo da safra.