De acordo com Rolando Bonaccorsi, especialista em gestão de operações de TI e excelência em serviços, a inteligência artificial está avançando de ferramentas que apenas respondem a comandos para sistemas capazes de interpretar informações, executar tarefas e tomar decisões dentro de determinados limites. A expansão dos agentes de IA levanta uma questão central: até que ponto podem assumir atividades de TI e quando a automação passa a operar com autonomia?
Saiba mais a seguir!
O que diferencia automação de autonomia?
A automação tradicional depende, em geral, de regras previamente estabelecidas. Um processo recebe determinada entrada, identifica uma condição e executa uma ação programada. É o caso de rotinas que reiniciam serviços, encaminham chamados ou executam procedimentos previamente definidos quando determinados parâmetros são identificados. Nesse modelo, o comportamento esperado é conhecido de antemão e as possibilidades de atuação são delimitadas pelas regras configuradas pela equipe.
Os agentes de IA trabalham de maneira diferente porque podem interpretar contexto, combinar informações, escolher entre diferentes caminhos e utilizar ferramentas para alcançar um objetivo. Em vez de apenas executar uma sequência fixa, conseguem adaptar sua atuação conforme as informações encontradas durante o processo. Isso permite lidar com situações menos estruturadas, nas quais a resposta necessária pode depender das condições identificadas durante a própria execução.
Rolando Bonaccorsi destaca que essa diferença não significa que todo agente seja completamente autônomo. Existem diferentes níveis de autonomia, desde sistemas que apenas sugerem uma ação até aqueles autorizados a executá-la diretamente. O grau de independência depende da arquitetura, das permissões e dos controles definidos pela empresa. Estabelecer esses limites é fundamental para determinar quais decisões podem ser delegadas à tecnologia e quais devem permanecer sob supervisão humana.
Onde os agentes podem atuar na TI?
Em operações de tecnologia, agentes podem ser utilizados em atividades como triagem de incidentes, análise de registros, identificação de padrões anormais, consulta a bases de conhecimento e execução de procedimentos operacionais. Em determinadas situações, também podem reunir informações de diferentes sistemas antes de recomendar ou realizar uma ação. Esse uso pode reduzir o tempo gasto em tarefas repetitivas e permitir que profissionais concentrem atenção em ocorrências que exigem análise mais detalhada.
Rolando Bonaccorsi, pela experiência como executivo de operações e delivery em tecnologia, está inserido em um contexto no qual eficiência operacional depende da integração entre processos, pessoas e recursos tecnológicos. Nesse ambiente, os agentes podem funcionar como uma camada adicional de execução, principalmente em tarefas que exigem análise de grande volume de informações.
Autonomia exige limites claros
Quanto maior a autonomia de um agente, maior também precisa ser a clareza sobre suas permissões. Um sistema autorizado apenas a consultar informações apresenta riscos diferentes de outro que pode alterar configurações, reiniciar serviços ou modificar dados. Essa diferença torna necessário classificar as atividades de acordo com o impacto que uma decisão equivocada poderia provocar na operação.
Por isso, como pontua Rolando Bonaccorsi, a autonomia precisa ser acompanhada por mecanismos de controle. Limites de acesso, registros das ações realizadas, aprovação humana para determinadas decisões e possibilidade de interromper a execução são alguns dos elementos que podem fazer parte dessa estrutura. Também é importante definir previamente quais situações exigem escalonamento, evitando que o agente ultrapasse sua área de atuação diante de um cenário inesperado.
A atuação em gestão de operações de TI e excelência em serviços ajuda a contextualizar esse debate. Em uma operação real, delegar uma atividade para um agente não elimina a responsabilidade pela consequência. A tecnologia executa a ação, mas a organização continua precisando definir o que pode ser feito, em quais circunstâncias e com quais salvaguardas.